terça-feira, 15 de outubro de 2019

Bispos recebem, em Roma, documento sobre violações de direitos na Amazônia

Um grupo de bispos que participa do Sínodo para a Amazônia, em Roma, recebeu na noite desta segunda-feira, 14, o relatório sobre violação de direitos humanos na Amazônia brasileira. O documento foi elaborado pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados e foi entregue durante evento com a participação de parlamentares, lideranças, participantes do Sínodo e membros da Rede Eclesial Pan-Amazônica/REPAM-Brasil.

Dom Evaristo Spengler, bispo da prelazia de Marajó/PA, mediou o evento. Junto com ele na mesa de autoridades, o bispo de Roraima/RR e segundo vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil/CNBB, dom Mário Antônio da Silva; o procurador regional da República Felício Pontes; e a agente da Comissão Pastoral da Terra de Rondônia Maria Petronila Neto, além de parlamentares que se revezavam explicando tópicos do documento.
O relatório foi elaborado por deputados de vários partidos a partir de debates, visitas a locais de conflitos e pesquisa de dados. No documento são abordadas questões relacionadas à população e à ocupação da região Amazônica, o desmonte da política ambiental brasileira, bem como das estruturas institucionais de proteção aos povos tradicionais e da biodiversidade amazônica. Desmatamento, queimadas, direito à água e saneamento também estão no relatório.
Ainda são abordados conflitos agrários, as perseguições aos defensores de direitos humanos, trabalho escravo, avanço das organizações criminosas, infância e educação e uma saída para a Amazônia.
Desmontes
Os parlamentares lamentaram em seus pronunciamentos o desmonte das políticas públicas voltadas para os povos indígenas e quilombolas, por exemplo, e das estruturas institucionais voltadas para o meio ambiente. “Esse desmonte coloca em risco a soberania do país”, afirmou o deputado Helder Salomão, que preside a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados.
Salomão convidou à reflexão diante do caso dos defensores dos direitos humanos e do meio ambiente. O parlamentar citou dados que apontam o Brasil com o maior número de ativistas assassinados em 2017. “Desses, 80% atuavam na Amazônia”, ressalta. Para o deputado, a impunidade dos responsáveis por esses crimes, serve de combustível para novas investidas. “É o grande problema que faz com que aumente a violência contra os lutadores e aqueles que defendem a vida. De 300 assassinatos contabilizados pela CPT, somente 14 foram julgados. De 40 casos de ameaça, nenhum foi a julgamento”, citou.
Soma-se a este cenário a busca de legitimar, por meio de emendas, práticas que contrariam a constituição, autorizando mineração em terras indígenas, por exemplo. Para o deputado Camilo Capiberibe, é um momento desafiador, “porque temos que defender o que conquistamos para traz”.

QuilombolasPara o deputado Bira do Pindaré, a questão fundiária é um problema central na Amazônia: “Qualquer que seja a perspectiva de proteção social, ambiental, cultural da Amazônia, passa pela questão fundiária”. O parlamentar, que participa de uma comissão mista em defesa dos quilombolas, ainda comentou ser um desafio denunciar também o desmonte do órgão responsável por garantir o território das comunidades negras remanescentes de escravos, a Fundação Palmares. A ideia é superar a situação atual para “retomar um caminho de organização, de certificação e de regularização das terras quilombolas”.
Expectativas
A deputada Jandira Feghali falou da expectativa dos parlamentares no sentido de aproximar “a esperança” do que está sendo discutido no Sínodo. Em resumo afirmou que os deputados pretendem, após o Sínodo, trabalhar políticas públicas na região, aprimorar o uso da ciência, da tecnologia, da inovação para o uso sustentável da biodiversidade para o desenvolvimento econômico da floresta em pé. Feghali ainda ressaltou: “É preciso resistir, mas se não tiver proposta de avanço, a gente não resiste, precisamos avançar juntos. E a nossa expectativa é que o Sínodo seja de fato um ponto de partida, não um ponto de chegada, que tenhamos uma proposta de ação conjunta”.
Texto: REPAM

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A iniciativa busca refletir sobre questões pertinentes sobre o sínodo, como comunicar vida ao mundo e dizer que o sínodo não se trata de reivindicar coisas, e sim de reconhecer o que está sendo feito



segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Multiplicidade de temas e realidades no Sínodo

A grandeza da Pan-Amazônia se reflete na variedade de povos, culturas, biodiversidade. Não poderia ser diferente na Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos sobre a região. Neste terceiro dia de atividades na sala sinodal, dom Roque Paloschi, arcebispo de Porto Velho/RO, e Ima Célia Guimarães Vieira, ecologista brasileira membro da Comissão Nacional para o Meio Ambiente/CONAMA, partilharam sobre diversidade observada na região e no Sínodo, de forma particular dos povos indígenas isolados.
A pesquisadora brasileira que participa do Sínodo expõe o entendimento “de que a visão múltipla da Amazônia ou das ‘amamazônias’ se projeta nas ‘sociodiversidades’ regionais”. Estas “sociodiversidades”, continua Ima, são compostas por “modos de vida que entrelaçam natureza e trabalho de maneira que os contextos geográficos interagem em diferentes escalas”.

Esta ideia de inter-relação, é refletida nas transformações por que passa a Amazônia. Os efeitos dessas mudanças se expandem em quase todos os lugares da região, como os conflitos sociais e a degradação ambiental, por exemplo.









Ima Vieira também destacou como elemento da sociodiversidade os povos indígenas isolados, cujo maior concentração está no Brasil, com 114 registros reconhecidos e 28 confirmados, em uma área superior a 60 milhões de hectares, segundo a pesquisadora, que atua no Museu Paraense Emíliio Goeldi.
“São povos de inúmeras designações e pertencimentos étnicos e optaram por isolamento voluntário”, situa. Segundo Ima, os povos isolados “são sobreviventes de sucessivos ciclos econômicos na Amazônia, uma história de massacres e perseguição”. Para ela, “é hora de ter um olhar sobre eles”.
Ima sustenta ser um dever cidadão “e, antes de tudo, um ato de amor e compaixão, que a gente lute pela vida, pelo bem-estar desses povos isolados no Brasil”. Seu pedido é que haja o comprometimento neste sínodo na luta pelos povos e pela garantia de um território “ecologicamente equilibrado, protegido e sustentável”.
Dom Roque Paloschi, que pela manhã pôde partilhar aos padres sinodais a realidade dos povos isolados a partir da atuação do Conselho Indigenista Missionário/Cimi, comentou sobre o dia de trabalho destacando a multiplicidade de temas, como a riqueza encontrada na floresta: “há muitos tipos de árvores, flores, animais e as temáticas mostram esse retrato do planeta”.

Fonte: REPAM

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Quem compõe o Sínodo para a Amazônia?


Sínodo: o que é importante saber?


Entenda também com o Padre Fabio Siqueira, que explicou um pouco sobre o que é um Sínodo, e a sua importância. Veja também como a Igreja pede que seja a postura de um cristão católico.
 
Padre Fabio Siqueira - Rio de Janeiro
De 06 a 27 de outubro realizar-se-á em Roma a Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Região Pan-Amazônica, que foi convocado pelo Papa Francisco no dia 15 de outubro de 2017, na Missa de canonização dos mártires de Uruaçú e Cunhaú. Muitos rumores e suspeitas têm sido levantados com relação ao Sínodo.
Em virtude disso, é importante esclarecer os fiéis para que entendam, em primeiro lugar, o que é o Sínodo e qual sua função; depois, o que o ensinamento da Igreja fala sobre as questões ecológicas; por último, esclarecer que o Sínodo da Amazônia de forma alguma representa quebra de unidade no que diz respeito à fé católica. Resolvemos fazer esse presente instrumento de esclarecimento em forma de perguntas e respostas, porque assim nos pareceu mais didático.

1) O que significa a palavra “sínodo”?

O termo “sínodo” deriva do grego “sýnodos”, que significa “reunião”. O termo é composto pelo prefixo “syn” (junto com/junto de/junto a) e pelo substantivo “hodós” (caminho). O verbo grego synodéo significa “fazer um caminho com alguém”.

2) O que é o “Sínodo dos Bispos”?

A Constituição Dogmática Lumen Gentium, no seu n. 22, apresenta o episcopado como um “Colégio” que tem à sua frente o sucessor de Pedro, o Papa. Assim procedendo, o documento deixou claro que cabe aos bispos, sempre em união com o Romano Pontífice, em virtude do múnus de ligar e desligar que também receberam, enquanto sucessores dos Apóstolos, participar ativamente nas decisões que afetam a vida eclesial.
Assim se exprime a Lumen Gentium em um trecho do n. 22:
“ Enquanto composto de muitos, este Colégio exprime a variedade e a universalidade do Povo de Deus; e enquanto unido sob um Chefe, exprime a unidade do rebanho de Cristo. Nele, os Bispos, respeitando fielmente o primado e o principado de seu Chefe, gozam do poder próprio para o bem dos seus fiéis e mesmo para o bem de toda a Igreja, revigorando sempre o Espírito Santo sua estrutura orgânica e a sua concórdia. ”
A constituição, de fato, deste Sínodo se deu em 15 de setembro de 1965, pelo Papa Paulo VI, através da Carta Apostólica sob a forma de Motu Proprio “Apostolica Sollicitudo”. Ali se define o que seja o Sínodo dos Bispos, de acordo com o pensamento dos padres conciliares expresso na Lumen Gentium. A função do sínodo é “consultiva” (edocendi et concilia dandi se afirma no original latino). Contudo, o Sínodo pode ter uma função deliberativa, sendo que esta precisa ser ratificada pelo Romano Pontífice.
O decreto Christus Dominus, sob o múnus pastoral dos bispos na Igreja, assim se exprime no seu n. 5 com relação ao Sínodo dos Bispos recém instituído: “Alguns Bispos das diversas regiões do mundo, escolhidos do modo e processo que o Romano Pontífice estabeleceu ou vier a estabelecer, colaboram mais eficazmente com o pastor supremo da Igreja formando um Conselho que recebe o nome de Sínodo Episcopal. Este Sínodo, agindo em nome de todo o Episcopado católico, mostra ao mesmo tempo que todos os Bispos em comunhão hierárquica participam da solicitude por toda a Igreja.”

3) Por que um Sínodo sobre a Amazônia

Em primeiro lugar, porque a Igreja se preocupa com todos os fiéis e, também, com os problemas do mundo em geral. Existem muitos cristãos na Amazônia que estão desassistidos: passam meses, senão anos, sem os sacramentos. Existe uma enorme escassez de clero naquela região. E, além disso, existem problemas sociais gravíssimos em todas áreas: educação, saúde, mobilidade etc. Um outro problema que assola a região amazônica é a questão ecológica.
A preocupação com a ecologia não é uma novidade do ministério do Papa Francisco. O apelo a que se cuide do planeta tem ecoado no Magistério dos últimos Papas. Aqui recordamos o ensinamento de Paulo VI; São João Paulo II; o Papa Emérito Bento XVI e, por último, o atual Pontífice, Francisco:

Papa Paulo VI (Carta Apostólica Octogesima Adveniens, 21 – 14/05/1971)

“ À medida que o horizonte do homem assim se modifica, a partir das imagens que se selecionam para ele, uma outra transformação começa a fazer-se sentir, consequência tão dramática quanto inesperada da atividade humana. De um momento para outro, o homem toma consciência dela: por motivo da exploração inconsiderada da natureza, começa a correr o risco de destruí-la e de vir a ser, também ele, vítima dessa degradação. Não só já o ambiente material se torna uma ameaça permanente, poluições e lixo, novas doenças, poder destruidor absoluto; é mesmo o quadro humano que o homem não consegue dominar, criando assim, para o dia de amanhã, um ambiente global, que poderá tornar-se-lhe insuportável. Problema social de envergadura, este, que diz respeito à inteira família humana. ”

Papa São João Paulo II (Mensagem para o Dia Mundial da Paz – 1990)

“ Perante a difusa degradação do ambiente, a humanidade já se vai dando conta de que não se pode continuar a usar os bens da terra como no passado. A opinião pública e os responsáveis políticos estão preocupados com isso; e os estudiosos das mais diversas disciplinas debruçam-se sobre as causas do que sucede. Está assim a formar-se uma consciência ecológica, que não deve ser reprimida, mas antes favorecida, de maneira que se desenvolva e vá amadurecendo até encontrar expressão adequada em programas e iniciativas concretas. ”

Papa Emérito Bento XVI (Carta Encíclica Caritas in Veritate, n. 48 – 29/06/2009)

“ O tema do desenvolvimento aparece, hoje, estreitamente associado também com os deveres que nascem do relacionamento do homem com o ambiente natural. Este foi dado por Deus a todos, constituindo o seu uso uma responsabilidade que temos para com os pobres, as gerações futuras e a humanidade inteira. ”

Papa Francisco (Carta Encíclica Laudato Sì, n. 14 – 24/05/2015)

“ Lanço um convite urgente a renovar o diálogo sobre a maneira como estamos a construir o futuro do planeta. Precisamos de um debate que nos una a todos, porque o desafio ambiental, que vivemos, e as suas raízes humanas dizem respeito e têm impacto sobre todos nós. O movimento ecológico mundial já percorreu um longo e rico caminho, tendo gerado numerosas agregações de cidadãos que ajudaram na consciencialização.Infelizmente, muitos esforços na busca de soluções concretas para a crise ambiental acabam, com frequência, frustrados não só pela recusa dos poderosos, mas também pelo desinteresse dos outros. As atitudes que dificultam os caminhos de solução, mesmo entre os crentes, vão da negação do problema à indiferença, à resignação acomodada ou à confiança cega nas soluções técnicas. Precisamos de nova solidariedade universal. Como disseram os bispos da África do Sul, «são necessários os talentos e o envolvimento de todos para reparar o dano causado pelos humanos sobre a criação de Deus. ”
Basta uma breve pesquisa pelas notas de rodapé da Laudato Sí e dos outros documentos citados acima, para percebermos que o discurso cristão católico sobre o meio ambiente já dura décadas e já se tornou parte integrante do que chamamos Doutrina Social da Igreja. Portanto, não deveria causar tanta estranheza nos fiéis um Sínodo que fale sobre a Amazônia, que se preocupe com questões relativas à ecologia.
Contudo, os mais acalorados debates não tem sido somente sobre o envolvimento da Igreja no desejo de dar o seu parecer a respeito do cuidado devido ao planeta, enquanto casa comum. A grande sombra que se lança no sínodo da Amazônia vem de uma das propostas que foram recolhidas no Instrumentum Laboris que diz respeito à ordenação de homens casados para o ministério presbiteral.

4) O que é um Instrumentum Laboris

Antes de entrar nesse tema do celibato, vale ressaltar que o Instrumentum Laboris é o que o seu nome diz: um “instrumento de trabalho”. Fruto de uma larga consulta, feita a todos os estamentos da Igreja, o “instrumento” tem como função mostrar os diversos aspectos do problema que se quer tratar, suas nuances, o modo como isso afeta a vida da Igreja e quais as propostas que vem das bases para serem discutidas pelos bispos e APROVADAS OU NÃO. Isso mesmo: APROVADAS ou NÃO.
Quem vai decidir se tais propostas são válidas ou não, são os bispos juntamente com o Papa, que ratificará ou não suas decisões, uma vez que o Pontífice está acima do Sínodo e de qualquer colégio no que diz respeito ao seu tríplice múnus. O Sínodo pode aproveitar propostas, melhorar outras, rejeitar as que não forem convenientes e elaborar outras que melhor correspondam à fé e ao momento eclesial atual.

5) Ordenar homens casados é uma “heresia”?

Em primeiro lugar, devemos entender o que é “heresia”. O conceito de heresia está no n. 751 do Código de Direito Canônico: Chama-se heresia a negação pertinaz, após a recepção do Batismo, de qualquer verdade que se deva crer com fé divina e católica, ou a dúvida pertinaz a respeito dela. Não pode haver heresia se não há negação de uma “verdade de fé”, ou seja, de um “dogma”. Ora, o celibato não é um dogma, mas uma disciplina eclesiástica, que pode mudar ou não, de acordo com o juízo do magistério eclesial.
As Igrejas ortodoxas e mesmo as Igrejas católicas de rito oriental possuem uma disciplina diferente. Os padres casados dessas Igrejas seriam “hereges”? Seria um absurdo fazer tal afirmação. Lembremo-nos que, antes do Concílio Vaticano II, não se ordenavam homens casados para o diaconato e agora se ordenam os viri probati. Seriam os diáconos casados “hereges”? Querer intitular como heresia uma simples proposta que ainda não foi nem discutida e nem, muito menos, aceita, pode ser um absurdo. Isso só pode se dar por puro desconhecimento de conceito ou, na pior das hipóteses, por má fé.

6) O que devemos fazer?

Devemos, em primeiro lugar, rezar com respeito filial pelos bispos e pelo Santo Padre, para que o Espírito Santo do Senhor os ilumine na sua jornada sinodal. Lembremo-nos de At 12,5: “Mas, enquanto Pedro estava sendo mantido na prisão, fazia-se incessantemente oração a Deus por parte da Igreja, e favor dele.” A Igreja primitiva “rezava por Pedro”. Vemos muitos que se dizem cristãos manchando o bom nome de Pedro, defraudando a imagem de nosso querido Papa Francisco.
Depois, devemos nos recordar do que ensina o Código de Direito Canônico no cânon 753: “Os Bispos, que se acham em comunhão com a cabeça e os membros do Colégio, quer individualmente, quer reunidos nas Conferências dos Bispos ou em concílios particulares, embora não gozem da infalibilidade do ensinamento, são autênticos doutores e mestres dos fiéis confiados a seus cuidados; os fiéis estão obrigados a aderir, com religioso obséquio de espírito, a esse autêntico Magistério dos bispos”.
Se um clérigo isolado ou determinado grupo ou associação de fiéis manifesta claro desprezo pelo Pontífice e incita o povo a deixar de seguir seus ensinamentos, os fiéis em comunhão com o Papa não devem se deixar influenciar por estas opiniões pessoais ou ataques, pois um bom católico não segue quem busca dividir a Igreja de Cristo.

Padre Fabio da Silveira Siqueira é padre da Arquidiocese do Rio de Janeiro, vice-diretor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida e doutorando em Teologia Bíblica – PUC/RJ.
Fonte: Vatican News

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Coordenadora da Pascom de Uberaba cria quadrinhos sobre o Sínodo para a Amazônia


Uma das coordenadoras da Pastoral da Comunicação da arquidiocese de Uberaba (MG) desenvolveu uma história em quadrinhos a respeito do Sínodo para a Amazônia. A comunicadora Amanda Oliveira conta que resolveu desenhar e simplificar a ideia do Sínodo para a Amazônia “para que todos possam entender e não partilhar de fake news”.
A história foi divulgada esta semana e já teve grande repercussão, além da aprovação do arcebispo metropolitano de Uberaba, dom Paulo Mendes Peixoto. O bispo auxiliar de Belo Horizonte (MG) e presidente da Comissão Episcopal para a Comunicação da CNBB, dom Joaquim Mol, elogiou a história em quadrinhos durante um evento na PUC Minas.


Fonte: CNBB
Irmã Gervis Monteiro, fsp
Irmã Gervis Monteiro, paulina, conta neste texto sua experiência de ser convidada e responder ao convite para participar da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Região Pan-Amazônica 6 – 27  de outubro de 2019, no Vaticano.
“Falar sobre o Sínodo da Amazônia é sentir nas entranhas o sentimento dos povos originais dessa terra.
Quando fui comunicada  pela minha provincial, Ir. Maria Antonieta Bruscato, que iria participar do Sínodo da Amazônia, não consegui de imediato ligar o tamanho do evento à compreensão que tenho hoje,  afinal é Sínodo dos Bispos! Após alguns dias, recebi o convite do Papa Francisco:
Rev.da Irmã Gervis MONTEIRO DA SILVA
Membro da Congregação da Igreja de San Paolo
Membro dell’Equipe itinerante nella Regione Amazonica
Rev.da Irmã ,
Tenho o prazer de informar que o Santo Padre a nomeou como Auditora da próxima Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Região Pan-Amazônica com o tema: “Amazônia: Novos Caminhos para a Igreja e para Uma Ecologia integral, que terá lugar em Roma de 6 a 27 de outubro de 2019.
Tal informação é estritamente integrada até os dados de sua edição oficial…..”. 
Eu jamais esperava isso, fiquei muito surpresa, porque jamais pensava estar em uma sala sinodal. E também agora eu vejo assim, como uma grande graça do Espírito, que também me convida a ser voz de todos aqueles e aquelas que vivem na Amazônia, principalmente aqueles e aquelas que estão em situações de maior vulnerabilidade.
Alguns dias depois, recebi da UISG (União Internacional das Superioras Gerais) um comunicado sobre como foi a minha indicação, que dizia:
 “Querida Ir. Gervis,
Gostaríamos de informá-la que enviamos o seu nome para a Secretaria Geral do Sínodo para participar, como representante da UISG e da vida consagrada no mundo, à assembleia especial do Sínodo dos Bispos sobre o tema Amazônia: Novos Caminhos para a Igreja e para uma Ecologia Integral, que terá lugar de 6 a 27 de outubro de 2019 em Roma.
Recebemos muitos nomes de religiosas que estão fortemente engajadas com os povos indígenas em atividades de promoção e defesa de direitos e também em uma reflexão teológico-pastoral sobre a questão amazônica. Para a escolha dos nomes a serem propostos à Secretaria Geral do Sínodo, consultamos também a CLAR. Foram, portanto, selecionadas 10 religiosas que melhor atendem aos critérios que nos foram indicados e que são representativas de diferentes países e de diferentes congregações.
As religiosas nomeadas pela UISG participarão da Assembleia sinodal como auditoras…..”
Para mim este Sínodo Especial sobre a Pan-Amazônia, representa uma grande oportunidade para dizer para as igrejas, para os governantes de nações e para nós mesmos como nós da Pan-Amazônia queremos ser vistos, respeitados e valorizados. Em outubro, por ocasião da realização do Sínodo em Roma, será a celebração daquilo que as comunidades amazônicas já rezaram, sonharam e decidiram.
Sinto que é uma responsabilidade enorme. Ao mesmo tempo em que me alegro por esta confiança que a Igreja deposita em mim, irei com temor e tremor.
De acordo com o Documento Preparatório, o Sínodo vai refletir sobre os novos caminhos de evangelização que devem ser elaborados para e com o povo de Deus que habita na região amazônica: habitantes de comunidades e zonas rurais, de cidades e grandes metrópoles, ribeirinhos, migrantes e deslocados e, especialmente, para e com os povos indígenas, também com o mundo todo.
Como conhecer, reconhecer, conviver e defender essa realidade que a Igreja nos pede? Confio muito na nossa missão, nosso carisma de Filhas de São Paulo que é de levar a todos, Jesus Mestre, Caminho, Verdade e Vida com os meios de comunicação, através de livros, mensagens, músicas…  Usando todos os meios que o progresso oferecer. Nossa missão é itinerante, é para todos! Mas confio também na força renovadora da nossa Igreja católica e no Espírito de Deus que renova todas as coisas.
Estou convencida de que estamos vivendo um kairós, mas um kairós, que é a irrupção do Espírito Santo na Igreja, também exige como diz Paulo, uma kenosis, um sair de nós mesmos, da nossa mentalidade, europeia ou americana, ou asiática, para buscar a unidade juntos na diversidade.
Por isso, sinto que preciso conhecer, reconhecer, conviver para poder defender a Igreja com rosto amazônico que surgirá das novas atitudes humanas, cristãs e eclesiais. Dessa forma os rostos amazônicos e indígenas estarão mais serenos, confiantes, dispostos, sorridentes, comprometidos, corajosos, satisfeitos no processo de evangelização, nas celebrações e relações humanas.
“Tenhamos fé, sempre mais fé, mesmo que a solidão vier!”
Ir. Gervis Monteiro da Silva, fsp (Pia Sociedade Filhas de São Paulo)
É amazonense de Boa Vista do Ramos, da Diocese de Parintins”.

Fonte: CRB Nacional